Crianças e adolescentes de 6 a 18 anos, sob proteção do Estado, terão um Natal diferente este ano. Eles poderão sair dos abrigos onde vivem e passar a data festiva com seus padrinhos e madrinhas afetivos. O encontro que propiciou uma nova vida para o grupo de 76 abrigados ocorreu na tarde deste sábado no Ginásio do Pão dos Pobres, na Capital.

Encontro dos padrinhos e afilhados
A psicóloga da ONG (Organização não Governamental) Instituto Amigos de Lucas, Lizianne Cenci, afirmou que o Programa de Apadrinhamento Afetivo para Crianças e Adolescentes em situação de abrigagem tem o objetivo que recuperar a autoestima dessas pessoas. “Com o carinho e o afeto dos padrinhos e madrinhas, eles se tornam crianças mais seguras em seus relacionamentos sociais e emocionais, conscientes de sua cidadania, exercendo sua crítica e participação nas decisões de mudança da sociedade”, afirmou Lizianne.
O apadrinhamento pode resultar ainda na possibilidade remota de adoção dos residentes de abrigo. “O programa iniciou há oito anos e desde lá, cerca de 10% das crianças e adolescentes apadrinhados foram adotadas pelos padrinhos”, enfatizou a psicóloga da ONG. O processo inicia com o cadastramento dos candidatos a padrinhos. É feita uma entrevista. Os selecionados realizam oficinas preparatórias para os dois encontros, onde no final é decidido se o vínculo será concretizado. Somando os apadrinhados deste sábado, chegam a 400 o número de crianças e adolescentes de Porto Alegre que conquistaram lares de referência para passar férias e finais de semana, além de participar de eventos festivos, como Páscoa, Natal, virada de ano e aniversário.
A ONG Instituto Amigos de Lucas foi fundada em 8 de outubro de 1998. Atua na prevenção ao abandono na infância com ênfase na sexualidade consciente na adolescência; pré-natal protegido e adoção legal como alternativa. Cada um destes temas é uma frente de trabalho implementada, composta por especialistas e leigos, todos voluntários, na busca da erradicação dessa problemática social.
Os voluntários são oriundos das mais diversas áreas: advogados, assistentes sociais, jornalistas, juizes de direito, médicos, psicólogos e promotores públicos. “Todas têm o objetivo comum de buscar alternativas da família às crianças e adolescentes dos abrigos do Rio Grande do Sul”, afirmou Lizianne.
Fonte: Correio do Povo, 30/11/2009 – Mirella Poyastro

“Flordelis – basta uma palavra para mudar” é o filme baseado na história de vida de Flordelis dos Santos de Souza, professora pública criada na favela do Jacarezinho, Rio de Janeiro, e que nas madrugadas de sexta-feira andava sozinha pela favela procurando crianças e adolescentes para entender o motivo de terem optado pelo caminho das drogas e do crime.